sexta-feira, 25 de março de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Um jardim é um resumo da civilização
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Rosa
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15.2.16
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Na cidade
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro
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Rosa
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6.2.15
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sábado, 31 de janeiro de 2015
De Mestre
Ah querem uma luz melhor que a do sol!
Querem campos mais verdes que estes!
Querem flores mais belas que estas que vejo!
A mim este sol, estes campos, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontento,
O que quero é um sol mais sol que o sol,
O que quero é campos mais campos que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores que estas flores —
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
Aquela coisa que está ali estava mais ali que ali está!
Sim, choro às vezes o corpo perfeito que não existe.
Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver,
E o resto são os sonhos dos homens,
A miopia de quem vê pouco,
E o desejo de estar sentado de quem não sabe estar de pé.
Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.
E como a alma é aquilo que não aparece,
A alma mais perfeita é aquela que não apareça nunca —
A alma que está feita com o corpo
O absoluto corpo das coisas,
A existência absolutamente real sem sombras nem erros
A coincidência exacta (e inteira) de uma coisa consigo mesma.
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31.1.15
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terça-feira, 25 de novembro de 2014
A espantosa realidade das coisas
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
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25.11.14
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domingo, 9 de fevereiro de 2014
O Pastor Amoroso
Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.
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9.2.14
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Uma tigela de felicidade
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20.12.13
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domingo, 24 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Aprender a ver
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
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6.11.13
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Sem imagens
De que cor será sentir?
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20.12.12
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Todo o estado de alma é uma paisagem
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18.4.12
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Elementos de Vitória
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10.2.12
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Odes e céu de Inverno
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
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30.1.12
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Um conselho desinteressado (para o ano-novo)
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
...
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29.12.11
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
Ao Entardecer
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
Alberto Caeiro
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4.10.11
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Mestre Caeiro
(...)
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
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24.3.11
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domingo, 2 de janeiro de 2011
Liberdade
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
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Rosa
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2.1.11
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Da minha aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
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Rosa
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13.12.10
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Quadras ao Gosto Popular
Dizem que as flores são todas
Palavras que a terra diz.
Não me falas: incomodas.
Falas: sou menos feliz
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Rosa
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9.12.09
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