quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Luz complicada hoje



Eu as árvores e a luz. Há dias em que não chegamos a nenhum acordo, o resultado é este.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei


(...)


CORA CORALINA

domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre os dias que passam


Sobre a vida

Ela (quando eu estacionava o carro) - Está ali outro lugar...
Eu - (....)
Ela - Ouviu o que eu disse?
Eu (sem ligar muito) - Claro.
Ela - Então e porque é que estacionou aqui se havia outro lugar?
Eu - Escolhi este, escolher é uma coisa complicada mas faz parte da vida, não conseguimos viver sem escolher, hás de reparar que na vida....
Ela - Eu não lhe perguntei nada sobre a vida, já chega.

sábado, 14 de novembro de 2009

No Prado






Que Deus faça de mim, quando eu morrer,
Quando eu partir para o País da Luz,
A sombra calma dum entardecer,

Florbela Espanca

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As Estrelas, o mar, os homens e os livros



Em Fevereiro passado, milhares de estrelas-do-mar deram à costa numa praia irlandesa, há poucos dias, voltou a acontecer algo muito semelhante aqui.

Desconfio que as as estrelas-do-mar andam a querer dizer alguma coisa.

E como uma coisa leva a outra e a memória é uma coisa mirabolante, lembrei-me de dois livros do Steinbeck: "Cannery Row"  ("O Bairro da Lata") e "Sweet Thursday", lembrei-me do Nick Nolte no filme que tem o nome do primeiro livro e mais especificamente do inesquecível Doc, Um biólogo marinho atípico (não porque eu tenha alguma ideia do que possa ser um típico biólogo marinho) que - lá está - estuda as estrelas-do-mar, as fobias e as apoplexias que acredita existirem nos polvos, a instabilidade do plâncton, ao mesmo tempo que lida com as suas angústias e a sua vida, com a sensibilidade fora do comum que Steinbeck descreve assim no início do seu "Sweet Thursday".

In the late night Doc might be working at his old and battered microscope, delicately arranging plankton on a slide, moving them with a thread of glass. And there would be three voices singing in him, all singing together. The top voice of his thinking mind would sing “ What lovely particles, neither plant nor animal but somehow both- the resevoir of all the life in the world, the base suply of food for everyone. If all of these should die, every other living thing might well die as a consequence”, The lower voice of his feeling mind would be singing “ What are you looking for, little man? Is it yourself you’re trying to identify?Are you looking at little things to avoid big things?” And the third voice, which came from his marrow, would sing, “_Loneseme! Lonesome! What good is it? Who benefits? Thought is the evasión of feeling. You’re only walling up the leaking loneliness”.

Como acontece com todas as grandes personagens, Doc é inspirado (neste caso particular pode-se mesmo dizer que é decalcado) de uma personagem igualmente fascinante, mas real, que marcou profundamente Steinbeck: Ed Ricketts (Edward Flanders Robb Ricketts 1897–1948) também ele estudou a vida marinha de uma forma especial, foi um daqueles homens que viveu antes do seu tempo, um precursor da ecologia, um visionário, um filósofo, um apaixonado por poesia. Não sei se alguma vez estudou as estrelas-do-mar, mas acredito não perderia esta oportunidade para o fazer e para com tudo isto nos ensinar mais sobre a vida.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Outono



Meados de Novembro, os Liquidambar e os Castanheiros da índia mais vestidos de verde do que seria natural.

Há um ano...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Do conhecimento da natureza

Jorge de Sena no prefácio de " O Velho e o Mar" escreve:
"O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nestas páginas (...). Mas vivem sem a mínima poetização panteísta, sem a mínima deliquescência antropomórfica. Vivem. São."
Não sem antes referir, aquilo que - segundo ele - faz com que um escritor consiga fazer da natureza, Ser.
"um conhecimento profundo, de todas as horas, de todos os momentos, dir-se-ia que da mínima tonalidade da luz, como do mais comum gesto de uma espécie animal, conhecimento que na literatura contemporânea só Hemingway possuirá tão despreconceituosamente." 

sábado, 7 de novembro de 2009

Dormir no Jardim da estrela!?

Lamento, mas eu acho isto uma tremenda patetice. E não pretendo explicar porquê.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Florestas a visitar



Fôret de Soignes, 1993
Fotografia de Hugues de Wurstemberger
*

De mim para mim...

Hoje escapou-se-me mais um arco-íris lindo de morrer, não me posso esquecer de sair de casa com a máquina de apanhar arcos-íris lindos de morrer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Outono

Há Outonos que não se esquecem, passam, sim. Dão lugar a longos Invernos, desiludidos, tristes, zangados. Salva-nos a Primavera de sempre, redentora, luminosa, capaz de envergonhar o mais inesquecível dos Outonos, e o Verão, ah o Verão! Não há Verão que não nos faça rir de um Outono inesquecível, desprezá-lo até. Mas é inevitável, o Outono chega sempre mais uma vez e entranha-se o medo, medo que seja desta que não se vai mais embora, é o Outono a trair a Primavera, ninguém trai a Primavera tão bem como o Outono. Há Outonos que não se esquecem, passam-nos.

Misread


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Árvores sem Juízo nenhum

"No entanto, ali nos semáforos do Campo Alegre, perturbando e confundindo os condutores que chegam da auto-estrada, e causando sérios transtornos no trânsito, estão duas ameixoeiras-de-jardim carregadinhas de flores. Bonitas mas tontas, julgam que já chegou a Primavera. Só há que encolher os ombros, pois juízo é coisa que não se ensina: ou se tem, ou não se tem; e elas, pelos vistos, não têm."

Paulo V. Araújo no "Árvores de Portugal"

Este foi um ano mau

A minha varanda está abandonada e triste desde que floriram as frésias pela última vez. Não sei quando é que vou ter forças para a fazer viver novamente, mas consigo finalmente perceber que esse momento vai, mais cedo ou mais tarde, ter de chegar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

No Prado







"Nature" is what we see —
The Hill — the Afternoon —
Squirrel — Eclipse — the Bumble bee —
Nay — Nature is Heaven —
Nature is what we hear —
The Bobolink — the Sea —
Thunder — the Cricket —
Nay — Nature is Harmony —
Nature is what we know —
Yet have no art to say —
So impotent Our Wisdom is
To her Simplicity.



Emily Dickinson


Um livro


A Metamorfose das Plantas


Tradução, introdução, notas e apêndices de Maria Filomena Molder
INCM

domingo, 25 de outubro de 2009

Aos 9 anos...

Ela: - A casa árvore está tão bonita! Gostava de convidar a Leonor para a vir ver, acho que a Leonor é a minha amiga que percebe mais de casas nas árvores.
Eu (armada em esperta): - Percebe ou aprecia?
Ela: - Apreciar é perceber.

Flores da Estação



Hakea laurina

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Plantas Imaginárias


Mandrágora 
("Ortus Sanitatis" sec. XV)



Inspirada pelo "Dictionary of Imaginary Places", vou iniciar uma série de posts sobre árvores, flores e plantas imaginárias, onde pretendo recolher o maior número possível de descrições sobre as plantas que povoam a nossa imaginação graças a: Lendas, fábulas, mitos, e todo o tipo de obras literárias. Todas as contribuições e sugestões serão úteis e muito bem vindas.




Assim de repente - porque já foram referidos neste blog - lembro-me: Das rosas amarelas que deviam ser encarnadas da "Alice no País das Maravilhas" e as flores que falam no Outro Lado do Espelho, A metamorfose em árvore nas "As Aventuras Maravilhosas de João sem Medo", O pé de Laranja Lima do Zezé, As árvores do bosque dos 100 Acres em "Joanica Puff", a chuvinha de minúsculas flores amarelas nos "Cem anos de Solidão", A Tília e o Carvalho em que se transformam Baucis e Filemon nas "Metamorfoses"(de Ovídio) ...



E para começar, nada melhor do que as Árvores Cisterna e ainda, os Rícinos (mamani) e os Metrosideros (ohia tree) na Terra das Fadas, que Mark Twain descreve nos relatos da sua viagem ao Hawai:

THE CISTERN TREE
Speaking of trees reminds me that a species of large-bodied tree grows along the road below Waiohinu whose crotch is said to contain tanks of fresh water at all times; the natives suck it out through a hollow weed, which always grows near. As no other water exists in that wild neighborhood, within a space of some miles in circumference, it is considered to be a special invention of Providence for the behoof of the natives. I would rather accept the story than the deduction, because the latter is so manifestly but hastily conceived and erroneous. If the happiness of the natives had been the object, the tanks would have been filled with whisky.

IN FAIRY LAND
Portions of that little journey bloomed with beauty. Occasionally we entered small basins walled in with low cliffs, carpeted with greenest grass, and studded with shrubs and small trees whose foliage shone with an emerald brilliancy. One species, called the mamona [mamani], with its bright color, its delicate locust leaf, so free from decay or blemish of any kind, and its graceful shape, chained the eye with a sort of fascination. The rich verdant hue of these fairy parks was relieved and varied by the splendid carmine tassels of the ohia tree. Nothing was lacking but the fairies themselves.

em: "Twenty-five letters from Mark Twain from the Sandwich Islands (Hawaii)"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Agricultura e mar

Uma quinta nas costas do deserto, irrigada unicamente com água do mar.

domingo, 18 de outubro de 2009

Livros


sábado, 17 de outubro de 2009

Castanheiro da Índia


Aesculus hippocastanum

Se as árvores fossem gente o Castanheiro-da-Índia era um sedutor.

Triste



Eu até já tinha dito, apetecia-me mesmo dizer que já tinha avisado - mas isso supunha o disparate de que alguém me ouve, e mais disparatado ainda que alguém, ouvindo, me levaria a sério - os Teixos estavam infelizes, muito infelizes. Morreram os dois ao mesmo tempo, um casal de Teixos morreu à dias no Parque Eduardo VII,  se a justiça fosse uma coisa a sério, alguém seria responsabilizado por estas mortes.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vá lá...

Soltem o Outono.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Lisboa de Azulejos


com Schinus molle

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Aos distraídos

Já viram bem este blog?

Fruta da época



Ziziphus zizyphus




Acofeifa-maior; Açofeifeira; Açufeifa; Açufeifeira; Alçofeifa; Jujubeira; Macieira-de-Anáfega; Tâmara-da-China; Jujuba.


A Jujuba, que não deve ser confundida com a Jojoba, está neste momento a frutificar no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.




domingo, 11 de outubro de 2009

CIDADANIA LX: "Experimentações" no Jardim de Santos



Vem agora a Experimenta Design, através de uma campanha denominada It's about time que lhe incute um carácter afirmativo de uma "outra urgência", defender um projecto para o jardim que perversamente pretende ser vanguardista. Implicitamente usa uma retórica de inovação e ruptura que lhe garante, por isso mesmo, uma autoridade cultural que só a superioridade da avant-garde pode garantir. Pretende assim mutilar as árvores com "tatuagens", abrir "chagas" na pele das árvores protegidas. Fazer "instalações" sonoras alterando completamente o equilíbrio do habitat, no que respeita os seus ciclos de luz e de silêncio. Além de colocar sistemas de iluminação que irão ter o mesmo efeito, pretende instalar uma casa metálica numa árvore, perversão corrosiva da "cabana". Claro que os bancos românticos irão ser substituídos por outros em cimento e um bar irá ser instalado no jardim, garantindo assim uma espécie de espaçolounge, uma espécie de área de expansão e colonização oficializada do jardim pelos estabelecimentos nocturnos, all night long. O que se passa aqui é uma perversa inversão de valores, que perante a importância das verdadeiras ansiedades descritas no início deste texto são profundamente reaccionárias, datadas e prisioneiras de um falso vanguardismo. Tomou-se a resolução, talvez por pudor de expor esta figura ao jardim play-station, de recolocar a estátua de Ramalho Ortigão noutro local.


In Público (11/10/2009)
Por António Sérgio Rosa de Carvalho



sábado, 10 de outubro de 2009

Plantas que querem ser outra coisa




Colletia cruciata . Jardim Botânico da Universidade de Lisboa


Men will believe what they see. Let them see.


Henry David Thoreau

O segredo

O segedo não é correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até si.

Mário Quintana

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Bom dia




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Jardim de Santos

Ainda há farpas Junto ao rio
As grandes Tipuanas do Jardim de Santos à espera que a cidade as defenda
1 . 2
De Susana Neves

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Caminhar para o Mar


*(também) Pelo Outono.

sábado, 3 de outubro de 2009

No Botânico

Também há pessoas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lisboa

Ficus macrophylla . Rua de São Bento

Que as árvores não caibam nas fotografias, é bom sinal. Mas que nas fotografias das árvores caibam sempre tantos carros, isso já é... Lisboa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em Lisboa

Os Jardins precisam é de jardineiros.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estufa Fria

Finalmente uma notícia sobre o assunto (já passaram 6 meses), não se fica a saber grande coisa, mas sempre é melhor do que nada.


Mas lá vem novamente a palavra que me faz tremer: revitalização.

A Nogueira negra da minha janela

Juglans nigra

Afinal, quem é que inventou o Outono?

Novas pistas.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Delphinium


Aviso à navegação

Diz-me o sitemeter (esse grande abelhudo) que houve alguém que aqui chegou com a seguinte dúvida: "Quem é que inventou o Outono?"

Eu não fui.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Na Praça da Alegria



No Campo das Cebolas


Chorisia speciosa

sábado, 26 de setembro de 2009

Glossário botânico


Ficus superba

Caulifloria . Particularidade, que algumas plantas apresentam, de florir nos ramos mais antigos e não apenas nos ramos jovens como é habitual.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Lisboa hoje

Está tão, tão bonita...

Os paraísos artificiais



Na minha terra,não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores,tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3.ºandar e papagaios de 5.º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Atormentada


Metrosidero excelsa . Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

Certas árvores são como eu.

There was a Railroad...




Now it´s all covered with flowers...


The High Line é a prova de que, ainda, vale a pena sonhar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia da Árvore



, originally uploaded by zenog.

Hoje, no Brasil, é o Dia da Árvore. Noto sempre neste dia uma afluência invulgar de visitantes brasileiros. Os brasileiros gostam a sério de árvores, conhecem-lhes os nomes, travam batalhas em nome das florestas e têm as árvores mais bonitas do mundo.

Nesta (a grande Sumaúma do Jardim Botânico do Rio de Janeiro) também já me perdi, mas nunca a consegui fotografar como o Zenog consegue sempre.

domingo, 20 de setembro de 2009

Em Lisboa

Chorisia speciosa

sábado, 19 de setembro de 2009

Naked lady



Amaryllis belladonna L.

Setembro, já se sabe, é o mês delas.

Para que conste

Eu gosto de plantas, não porque as perceba, mas precisamente porque enquanto não as percebo, são um mistério delicioso.

Palmeiras

Se não me engano, esta aqui em baixo é a primeira Palmeira que entra neste blog. Não deixa de ser curioso, já que durante muito tempo foram as minhas árvores preferidas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Jardins de Lisboa


Janelas Verdes

O Jardim Romântico


Jardim de Santos



O Jardim é um dos principais elementos do romantismo. O sonho, a sua ferramenta principal. 

O Jardim Romântico recusa a simplicidade e rigidez da geometria neoclássica e, não sem alguma soberba, aventura-se a reinventar a natureza e o exotismo de acordo com as exigências de um homem que se pretende, livre, aventureiro, culto, viajado, e sonhador: O romântico 

O Jardim Romântico não procura a harmonia, mas a intensidade e o dramatismo. Tentar, seja lá como for, organizar um Jardim Romântico, é retirar-lhe a sua característica essencial: O romantismo. 

Destruir um Jardim Romântico é como destruir um sonho. Fácil e, aparentemente, pouco violento, mas, convém dizê-lo, irreversível.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nomes


Tipuana tipu


Por mais voltas que dê, não consigo entender a razão, havendo alguma, que levou o João Gomes da Silva (o arquitecto paisagista com um nome perfeitamente vulgar que eu até tinha em alguma consideração) a referir-se às Tipuanas do jardim de Santos, como: "árvores com nomes estranhos".

Não seria tão grave, se, simultaneamente, o arquitecto paisagista com um nome perfeitamente vulgar que eu até tinha em alguma consideração, não tivesse ... esquecido?... que as mesmas Tipuanas são Árvores Classificadas de Interesse Público.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que é que vos deu?

Nunca tive tantas visitas como hoje.

Imprescindível

Origanum vulgare

Os Orégãos são, segundo lendas gregas, uma dádiva divina (da deusa do amor - Afrodite) à humanidade. Ficaram desde então associados ao amor, à alegria e à fertilidade.

Para mim, quase todas as ervas aromáticas são sinónimos de alegria, algumas mais do que outras. Esta que utilizo seca (não levo muito a sério a nova onda dos Orégãos frescos) e trago todos os anos do Alentejo, é talvez a mais feliz de todas.

Só mais uma coisinha: Apesar de secos, os Orégãos devem ser verdes, se ficam com uma cor indefinida, é sinal de que tenho de voltar ao Alentejo.

Ideias com flores



Mais uma ideia.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O segredo do figo

Ficus carica
Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.

As árvores do género Ficus, ao qual pertencem as nossas figueiras, mas também algumas das mais espantosas árvores do mundo, reproduzem-se de uma forma totalmente desconcertante para quem não está familiarizado com estes mistérios da vida privada das árvores.

A flor (inflorescência para ser mais exacta) das Ficus floresce escondida no interior da cápsula carnuda a que vulgarmente chamamos figo (sicónio), - "Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;". A polinização, necessária para que a flor se transforme no fruto, é feita por uma pequena vespa que entra pelo orifício aberto na base da cápsula,- "Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;" - lá dentro (e não querendo entrar em muitos pormenores), o insecto deposita os ovos, morre, nascem larvas (sim, larvas!), desenvolvem-se, polinizam e partem para as suas vidas. só nessa altura o sicónio (figo) pode iniciar o seu processo de maturação -" Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim." - e transformar-se no fruto (na verdade uma infrutescência).

"Era uma flor que brotava para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura."


Figos


figos, originally uploaded by contemplar.


A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-Io em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-Io para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.

Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.

Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.

Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.

Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.

O figo, a ferradura, a flor da abóbora.
Símbolos.

Era uma flor que brotava para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura.

Foi sempre um segredo.
E assim deveria ser, a fêmea deveria manter-se para sempre
secreta.

Nunca foi evidente, expandida num galho
Como outras flores, numa revelação de pétalas;
Rosa-prateado das flores do pessegueiro, verde vidraria veneziana
das flores da nespereira e da sorveira,
Taças de vinho pouco profundas em curtos caules túmidos,
Clara promessa do paraíso:
Ao espinheiro florido! À Revelação!
A corajosa, a aventurosa rosácea.

Dobrado sobre si mesmo, indizível segredo,
A seiva leitosa que coalha o leite quando se faz a ricotta,
Seiva tão estranhamente impregnando os dedos que afugenta as
próprias cabras;
Dobrado sobre si mesmo, velado como uma mulher muçulmana,
A nudez oculta, a floração para sempre invisível,

Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;
Figo, fruta do mistério feminino, escondida e intima,
Fruta do Mediterrâneo com tua nudez coberta,
Onde tudo se passa no invisível, floração e fecundação, e maturação
Na intimidade mais profunda, que nenhuns olhos conseguem
devassar
Antes que tudo acabe, e demasiado madura te abras entregando
a alma.

Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim.

O figo guardou muito tempo o seu segredo.
Então abre-se e vê-se o escarlate através da fenda.
E o figo está completo, fechou-se o ano.

Assim morre o figo, revelando o carmesim através da fenda púrpura
Como uma ferida, a exposição do segredo à luz do dia.
Como uma prostituta, a fruta aberta mostra o segredo.

Assim também morrem as mulheres.


Demasiado maduro, esgotou-se o ano,
O ano das nossas mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Foi desvendado o segredo.
E em breve tudo estará podre.

Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.

Quando no seu espírito Eva soube que estava nua
Coseu folhas de figueira para si e para o homem.
Sempre estivera nua,
Mas nunca se importara com isso antes da maçã da ciência.

Soube-o no seu espírito, e coseu folhas de figueira.
E desde então as mulheres não pararam de coser.
Agora bordam, não para esconder, mas para adornar o figo aberto.

Têm agora mais que nunca a sua nudez no espírito,
E não hão-de nunca deixar que o esqueçamos.


Agora, o segredo
Tornou-se uma afirmação através dos lábios húmidos e escarlates
Que riem perante a indignação do Senhor.

Pois quê, bom Deus! gritam as mulheres.
Muito tempo guardámos o nosso segredo.
Somos um figo maduro.
Deixa-nos abrir em afirmação.

Elas esquecem que os figos maduros não se ocultam.
Os figos maduros não se ocultam.
Figos branco-mel do Norte, negros figos de entranhas escarlates do Sul.
Os figos maduros não se ocultam, não se ocultam sob nenhum clima.
Que fazer então quando todas as mulheres do mundo se abrirem na
sua afirmação?
Quando os figos abertos se não ocultarem?



D. H. Lawrence . Tradução, Herberto Helder

domingo, 13 de setembro de 2009

Tu és a terra

Tu és a terra em que pouso.
Macia, suave, terna, e dura o quanto baste
a que teus braços como tuas pernas
tenham de amor a força que me abraça.

És também pedra qual a terra às vezes
contra que nas arestas me lacero e firo,
mas de musgo coberta refrescando
as próprias chagas de existir contigo.

E sombra de árvores, e flores e frutos,
rendidos a meu gosto e meu sabor.
E uma água cristalina e murmurante
que me segreda só de amor no mundo.

És a terra em que pouso. Não paisagem,
não Madre Terra nem raptada ninfa
de bosques e montanhas. Terra humana
em que me pouso inteiro e para sempre.

Jorge de Sena . Londres 15 . 03 . 1973

sábado, 12 de setembro de 2009

Para desanuviar




Haemanthus coccineus L.

Filho de peixe...

Hoje, regressei a Lisboa - contrariada, convém dizer -. Passei pelo Jardim de Santos, e expliquei à minha filha (9 anos) que queriam construir uma casa em cima de uma daquelas grandes árvores. Esperava, sinceramente, uma reacção diferente, mas a verdade é que ela disse: "só pensam em construir" e mais nada!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Jardim de Santos

CIDADANIA LX: A beleza natural do Jardim de Santos

E já agora...


Realmente, quem não consegue, no Jardim de Santos, animar-se com as espantosas Tipuanas classificadas (oito!), vai-se animar, com quê?

Pois...

Nem sei muito bem o que dizer disto. É ler, tudo, o que a Susana escreveu.

Depois de uma visita ao local do crime, logo vejo se há alguma coisa a dizer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os deslimites da palavra


Custa-me, não ter palavras para explicar a estas alminhas - que todos os dias tomam o pequeno almoço comigo - que não concordo nada com esta estupidez troglodita, que dá pelo nome de "época de caça às rolas".

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Árvores de Portugal

Porque, acredito - mesmo que não acredite em muito mais - que a relação de um país com as árvores, pode ser a medida da sua grandiosidade ou da sua insignificância.

Porque, para mim, um país sem árvores seria infinitamente mais triste do que um país sem pessoas.

Porque as árvores são capazes de nos fazer acreditar em coisas verdadeiramente espantosas....

Saúdo um blogue, novinho em folha, que promete encantar e onde eu vou, brevemente e muito bem acompanhada, participar.

domingo, 6 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Viver de vagar