sábado, 6 de março de 2010

Eram amarelas

Hoje as Tulipas

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Ulmeiros Retorcidos de Portugal


Já que tem de ser assim...

Diluviano. Então que me chova forte no Manjericão que estava a secar na bancada da cozinha, nas Frésias que estão quase a florir na varanda, no Liquidambar que se prepara para ficar cheio de estrelas verde vivo, nos musgos que crescem no tronco da Bela-sombra e são lindos de morrer, nos Castanheiros-da-Índia que se despiram para o banho, nos relvados, nas calçadas dos jardins que ficam frescas e lavadinhas, na cabeça de algumas pessoas que merecem uma grande molha, chova então muito, muito... Porque o que tem de ser, tem muita força.

Poema da flor proibida



Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.


António Gedeão

People Are Like Seasons


O infinito cabe num dedal de terra; as mais belas histórias são articuladas na dimensão da infância, quando tudo parece imenso e é pequeno.

Agustina Bessa-Luís

quinta-feira, 4 de março de 2010

As Amendoeiras de Van Gogh


Vincent Van Gogh  - "Almond Blosson"
óleo sobre tela 73.5 x 92 cm.
Museu Van Gogh-Amesterdão

quarta-feira, 3 de março de 2010

As Amendoeiras de Lisboa


Este ano andei distraída e só apanhei as últimas flores. Paciência, para o ano há mais.

As Amendoeiras de Camus

"Quando morava em Argel, suportava sempre com paciência o Inverno, pois sabia que numa noite, numa só noite fria e pura de Fevereiro, as amendoeiras do vale dos Consules se cobririam de flores brancas. Depois, maravilhava-me ao ver que essa neve frágil resistia a todas as chuvas e ao vento do mar. No entanto, ano após ano ela persistia durando o tempo necessário para preparar o fruto."

Albert Camus .  "O Verão" (1954)

Os Invernos não se querem demolidores, mas às vezes acontece

Os Invernos demolidores são para os jardins, como as paixões assolapadas para os apaixonados: Inevitáveis, inesperados, desconcertantes, desconfortáveis, destruidores, desastrosos, provocadores e renovadores. Um Inverno como este que estamos a viver deixa, em qualquer jardim que se preze, feridas e dores para toda a vida, perdas irreparáveis, recordações eternas, mas, se lhe sobrevive, o jardim arrasado fica mais forte, mais resistente aos Invernos futuros, renovado e cheio de vida.

Para que isto aconteça - para que um jardim renasça em beleza depois de um Inverno demolidor - é essencial a ajuda de um jardineiro experiente que, na altura certa, saiba limpar as feridas, entender as dores, secar as lágrimas e semear o jardim que estava entregue às tempestades, às chuvas sufocantes  e à fúria dos ventos. O jardineiro é para o jardim, como os verdadeiros amigos são para os apaixonados que sobrevivem a  uma paixão assolapada.

terça-feira, 2 de março de 2010

Flores


É nestas flores, em particular, que
vejo desenhar-se uma linha que me leva
de mim a ti, passando sobre um campo
invisível, onde já não se ouvem
os pássaros, e onde o vento não faz cair
as folhas. Estamos em frente de um canteiro
puramente abstracto, e cada uma destas flores
nasceu das frases em que o amor se manifesta,
e do movimento dos dedos sobre a pele,
traçando um fio de horizonte
em que os meus olhos se perdem. Por isso estão
vivas, e alimentam-se da seiva
que bebem nos teus lábios, quando os abres,
e por instantes a vida inteira se resume
ao sorriso que neles se esboça.

Nuno Júdice



Hippeastrum

segunda-feira, 1 de março de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Desencontros


-Qual é a Olaia mais feliz de Lisboa?
-Qual é o quê?
-Aquela que tem o privilégio de ter sido plantada no cantinho bonito com a vista sobre o Tejo.
-Olaia?
-Estivemos lá uma vez, no Fevereiro mais luminoso da minha vida, estava a dita Olaia prestes a florir....
-Não estou bem a ver o que são as Olaias?
-São as árvores mais inesquecíveis do mundo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Da Madeira



Dactylorhiza foliosa

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Dos Jardins e da sedução




L'annee derniere a Marienbad . Alain Resnais

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



Fotografia de .  Dill Pixels.

Palavras de que eu gosto

Clepsidra

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dombeias de Oeiras na Quarta-feira



Dombeya ×cayeuxii

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Arte desaparecida da face da terra, na Terça-feira




Óleo sobre tela . 110 x 110 cm 
Gartenweg mit Hühnern (caminho com galinhas) . 1917
Gustav Klimt 





Óleo sobre tela . 110 x 110 cm 
Bauerngarten mit Kruzifix  (jardim com crucifixo) . 1912
Gustav Klimt 


Destruídos pelas tropas da SS a 7 de Maio de 1945 (já depois da rendição alemã) em Schloss Immendorf.

Obras de arte destruídas durante a guerra.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Arquitectura de Madrid na Segunda-feira



Fotografia de  z.z.

Caixa Forum
Herzog & de Meuron
Patrick Blanc (parede vegetal)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Jardins de Lisboa no Domingo de manhã (1)

Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian
Gonçalo Ribeiro Telles 
 António Viana Barreto


(Nova série de postais, que se pretende, cheia de lugares comuns e tão desinteressante como todas as outras)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Dias assim





Há dias em que só o sorriso da lua nos faz sorrir

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Jardinagem da pesada 2

Sem comentários (Aqui)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Jardinagem da pesada


Fotografia (aqui)
É com brinquedos deste calibre que o Zé "brinca" num dos jardins mais bonitos de Lisboa.

A Salada




No meu prato que mistura de Natureza!
As minhas irmãs as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ninguém reza...

E cortam-nas e vêm à nossa mesa
E nos hotéis os hóspedes ruidosos,
Que chegam com correias tendo mantas,
Pedem «salada», descuidosos...

Sem pensar que exigem à Terra-Mãe
A sua frescura e os seus filhos primeiros,
As primeiras verdes palavras que ela tem,
As primeiras coisas vivas e irisantes
Que Noé viu
Quando as águas desceram e o cimo dos montes
Verde e alagado surgiu
E no ar por onde a pomba apareceu
O arco-íris se esbateu...

Alberto Caeiro

PS

E não te esqueças que elas são azuis exactamente pelas mesmas razões que o mar tem para o ser.

Recado

Scilla monophylla

Aquela conversa, um bocadinho pateta, de que se deve falar com as plantas, não me convence. Nada do que nós dizemos interessa minimamente a uma planta. Já ouvir o que elas têm para nos dizer, é bastante útil.

Isto para te dizer que as tuas Scilas, para florir, não precisam que lhes digas nada de especial. Ouve-as, só.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Uma árvore na minha vida



Uma espécie de artigo no Público

 Diz que é uma espécie de restauro.
Em Cidadania LX

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A florir no Jardim da Estrela

Dombeya ×cayeuxii

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Flores para os dias de chuva


Fotografia de Ngoc Minh Ngo

Fácil não rima com jardinagem


Parece que um dos objectivos da Divisão de Estudos e Projectos da Direcção Municipal de Ambiente Urbano da Câmara Municipal de Lisboa, para o Jardim do Príncipe Real, no tal projecto de requalificação (muito falado mas nunca visto), é criar um jardim de fácil manutenção.

Não é preciso perceber muito sobre jardinagem, para saber que jardins de fácil manutenção é uma coisa que não existe.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Dias de Amarilis

Hippeastrum Dia 1Hippeastrum Dia 2Hippeastrum Dia 3Hippeastrum Dia 4Hippeastrum Dia 6




"Triste lupus stabulis, maturis frugibus imbres,arboribus venti, nobis Amaryllidis irae."
Bucólicas de Virgílio 

(O lobo é uma coisa terrível para os  estábulos, os aguaceiros para as searas maduras, os ventos para as árvores, as iras de Amarilis para nós.)


Foi inspirado por esta Amarilis temperamental, que Lineu escolheu o nome para a flor (esta flor, na realidade).

Só em Lisboa


O Ninho das Águias e as árvores do Jardim da Estrela

Ei-los de volta...



Os Jacintos

sábado, 16 de janeiro de 2010

People Are Like Seasons



E eu já preciso da Primavera.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Flores para os dias de chuva


Dombeya ×cayeuxii (hoje em Oeiras no Jardim do Marquês de Pombal)


Esta é mais uma das plantas que todos os portugueses deviam conhecer. A sua história, que começa em Portugal e acaba nos jardins do mundo inteiro, devia ser ensinada aos nossos filhos nas escolas.

A Prunus Triloba de Llansol

1+1
Prunus triloba

Como diz Jorge de Sena no prefácio de um livro de Hemingway, alguns escritores têm uma relação tão profunda com a natureza, que conseguem fazer com que ela: Seja.
Para mim é muito claro o momento em que uma planta, um animal, uma paisagem, um lugar... se transforma em: Ser. É muito importante que isso aconteça, porque é só quando a natureza ganha o estatuto de Ser, que se decide respeitá-la verdadeiramente. Mas adiante.

Maria Gabriela Llansol foi uma dessas escritoras para quem a natureza: É. No seu jardim (em Jodoigne) tinha uma Prunus triloba com a qual manteve uma relação privilegiada e que se transformou numa das suas principais personagens. A Prunus Triloba de Llansol.


[...] vivo para escrever e ouvir e, hoje, fui um dos primeiros leitores de Na Casa de Julho e Agosto; tão profundamente me sensibilizou o texto que, depois de me ter esquecido do que ia dizer, ou seja, escrever a seguir, me sentei no banco verde do jardim, junto de Prunus Triloba, a refletir que me devia perder da literatura para contar de que maneira atravessei a língua, desejando salvar-me através dela.
Jodoigne, 30 de Maio de 1979


Sonho, esta noite, com o meu último olhar frontal a Prunus Triloba:
Ser árvore, é não partir
Prunus triloba, és uma árvore.
Prunus triloba não pode partir.
Pus-lhe a mão no tronco - pedra de toque do nosso adeus.

Herbais, 31 de maio de 1980

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ei-los que chegam...




Os Jacintos

Abate de Tílias em Sintra


Mais uma imagem infeliz. aqui, aqui, aqui.... E no coração de todos os que amam Sintra e as árvores.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um refúgio contra as tempestades




(...) "Como deixamos de amar alguém? Deve haver um aviso, um sinal que fica a marcar tenuamente uma página de um livro, uma parede da casa, uma data às vezes, o céu de uma manhã de Inverno. Deve ser no Inverno que mais vezes deixamos de amar seja o que for, porque o Inverno é o tempo da casa partilhada e uma casa só muito dificilmente se partilha. Uma casa é o último reduto do animal em perigo, um refúgio contra as tempestades - e as tempestades são todos os que vivem à nossa volta."

Francisco José Viegas . "Um Céu demasiado Azul"

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

People Are Like Seasons


E eu ando com saudades do Verão

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Do Segredo



Secret Garden

You've gone a million miles
How far'd you get
To that place where you can't remember
And you can't forget

domingo, 10 de janeiro de 2010

Do Desejo





Ouvir o alar de aromas, o florir das flores, o sonho das sementes... Ver a cor das palavras... Ouvir a luz...
O desejo é um canto cor-de-rosa arrolando o Mundo... É a música das esferas.
(...)
O desejo é a grande tentação misteriosa e suprema... O desejo das vitórias impossíveis ainda, das posses inefáveis, da beleza que vai além de todos os horizontes...
A vida enamorada de si mesma a procurar-se...para ser mais bela e tornar-se maior...
A vida é desejo, ânsia, insatisfação, movimento eterno.
O Desejo é uma saudade de Deus.


Augusto Casimiro . "O Livro dos Cavaleiros" . Seara Nova 1922

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sem horizonte



E quando, do nada, nos acontece olhar, fotografar, contemplar, sonhar, divagar, coscuvilhar, amar.... Apenas uma única flor (que, vistas bem as coisas, até não tem grande interesse), isso só pode ser: Uma obsessão ou até alguma coisa bastante mais estúpida. Resta-nos pedir desculpa, muitas vezes e muito envergonhadamente, ao resto do mundo e esperar que a coisa passe rapidamente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010