segunda-feira, 11 de novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Lugares e tempos



Lugares e tempos- que há em mim indo ao encontro de todos eles, em qualquer altura e onde quer que seja, e me faz sentir como se estivesse em minha casa?
Formas, cores, densidades, odores- que há em mim que se harmoniza com eles?

Walt Whitman . "Pela Berma da Estrada"

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Jardim Botânico, alimento dos poetas...

Estou contente porque o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa ganhou, por mérito próprio e de quem nele votou, o orçamento participativo de Lisboa. Espero que o dinheiro do prémio seja utilizado inteligentemente e que a preservação e o bem-estar da colecção viva do jardim seja o seu principal objectivo. Confesso que não me agrada quando oiço falar em infra-estruturas e espaços de lazer, um Jardim Botânico é um espaço privilegiado de aprendizagem e trabalho e não deve (na minha opinião) ser visto como um espaço de lazer. Pode inspirar artistas mas não serve para expor as suas obras, alimenta os poetas mas não é um local ideal para declamar poesia... Num jardim botânico os visitantes devem acima de tudo aprender a conviver e respeitar todos os seres vivos e para isso têm de existir regras. Um jardim botânico não deve ser um espaço de liberdade e lazer para os visitantes, é-o sim (ou deve ser) para as espécies botânicas e animais que o povoam.

E já que estamos entre Metasequoias e Jardins Botânicos...

No Jardim Botânico de Cracóvia
deparei-me com uma árvore Asiática
com o nome de Metasequoia Chinesa – uma bela árvore
com folhas agulha achatadas.
Mas porquê metasequóia – e não apenas uma sequóia normal?

A metasequóia cresce além de si mesma?
Será que se eleva acima das outras árvores?
Até mesmo as plantas começaram a recorrer
ao misterioso jargão
de certos sábios académicos?


Adam Zagajewski . "Jardim Botânico"

Poderão os homens inverter os projectos da natureza


Metasequoia glyptostroboides

Claro que sim! E se dúvidas ainda existirem são de quem nunca teve o prazer de conhecer uma Metasequoia. 

Quando recentemente no Canadá decidi rumar ainda mais ao Norte, à procura de um Outono que não conhecia, encontrei estas coníferas coloridas que pensei serem o Taxodium distichum a única conífera de folha caduca que eu conhecia, ignorância, claro, os Taxódios são do sul dos EUA e não são as únicas coníferas que se divertem no Outono.  

Estas, vim a saber, são as jovens Metasequoias do Canadá. Jovens porquê? Porque as Metasequoias, (quase Sequóias como o nome parece indicar) apesar de terem sido protagonistas nestas florestas do Círculo Polar Árctico, foram -e agora espantem-se- extintas há dois milhões de anos sabendo-se da sua existência apenas por vestígios fósseis. Em 1940, uma das maiores descobertas botânicas da história revelou e existência de alguns exemplares desta espécie que se julgava extinta, numa zona remota da China, e foi assim que em pouco mais de 50 anos, os homens, num esforço para a preservação da espécie, inverteram os desígnios da natureza devolvendo a Metasequoia às florestas onde tinha sido extinta e a muitos outros lugares do mundo (existem mesmo algumas em Portugal). É por isso que todas as Metasequoias do mundo ocidental têm garantidamente menos de 60 anos o que para uma árvore deste calibre é ainda a primeira infância. A longevidade é um dos segredos das árvores que os homens ainda não descobriram.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aprender a ver


Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

sábado, 2 de novembro de 2013

Sinal dos tempos


Em Nova Iorque é proibido fumar nos parques públicos (desde 2011) e o mandarim é a terceira língua mais importante.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

No país das folhas rubras


Acer saccharum .  Bordo-açucareiro

Novembro




A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras

Sophia de Mello Breyner 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vrikshasana*


*
A Árvore

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Like a Lover’s Words

 Acer saccharinum . Bordo-prateado

Nature rarer uses Yellow
Than another Hue.
Saves she all of that for Sunsets, --
Prodigal of Blue,

Spending Scarlet like a Woman,
Yellow she affords
Only scantly and selectly,
Like a Lover's Words.


Emily Dickinson

Mais ou menos isto:

(A Natureza usa o Amarelo menos do que as outras cores. Guarda-o para o pôr-do-sol*,  esbanja o azul,  gasta carmesim como uma mulher, o Amarelo usa escassa e selectamente como as palavras de um apaixonado.)
* e para a morte de algumas folhas

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Rumo ao norte



The name – of it – is “Autumn”
The hue – of it – is Blood -
An Artery – upon the Hill -
A Vein – along the Road

Emily Dickinson




Vicious
hey, you hit me with a flower
You do it every hour
oh, baby you're so vicious


(*)



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Interior (III)



domingo, 20 de outubro de 2013

Folhas gigantes (II)


 Acer macrophyllum

Neste caso, considerando o exemplo anterior, o epíteto "gigante" pode parecer excessivo mas, se compararmos as folhas desta árvore com as folhas dos restantes Acer, é com o tamanho que ficamos mais surpreendidos. Nenhum outro Acer, ou Bordo se preferirem, tem folhas tão grandes e por isso esta árvore maravilhosa mas infelizmente tão rara em Lisboa (e Portugal?) é conhecida por Bordo-de-folhas-grandes (Big leaf maple) .
Este vive, aparentemente feliz, em Lisboa no Jardim das Amoreiras e, ingénuo, deixou-se enganar pelo Outono mentiroso, nesta altura do ano as suas grandes folhas não deviam estar verdes mas coloridas com tons quentes de amarelo e laranja. Mas quem é que precisa de tons quentes num Outono  luminoso? Pergunta o Bordo com folhas grandes.

(a minha assistente diz que se esta série é para continuar temos de contratar uma manicure)

Correção em janeiro de 2018- trata-se da igualmente rara em Lisboa,  Firmiana simplex

sábado, 19 de outubro de 2013

Folhas gigantes (I)

Alocasia macrorrhiza

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Lua


Every one is a moon, and has a dark side which he never shows to anybody.
Mark Twain


Interior (II)

 Monstera deliciosa


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Na varanda


Tricyrtis hirta

Pronto! Já tem nome a flor que me andava a intrigar , dá pelo nome de Tricyrtis hirta e há quem lhe chame Lírio-sapo (toad lilie).Foi assim que fquei a saber tudo o que precisava de saber sobre ela e muito mais.
Mentira! Há sempre mais a aprender com uma flor...

Sem medo do Outono



Acer campestre . hoje em Lisboa

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Solidão

Solidão, eu te saúdo! Silêncio dos bosques, salve!


Almeida Garrett 

A vida secreta das campainhas do Outono




Acis autumnalis


Geófita (do grego geo, terra e phyto, planta) é uma planta cujos órgãos permanentes são subterrâneos. Algumas bolbosas pertencem a este biótipo, mantêm-se durante a maior parte do tempo discreta e tranquilamente subterrâneas só emergindo à superfície durante pequenos espaços de tempo e sempre com objectivos específicos que na maior parte dos casos cumprem irrepreensivelmente.

No inicio do Outono estas pequenas campainhas brancas com longas hastes encarnadas surgem, aparentemente do nada, nas clareiras ressequidas pelo Verão - numa altura em que o verde ainda escasseia e poderia ser um chamariz para herbívoros esfomeados a estratégia de florir sem folhas parece-me perfeita - desta forma elegante e discreta apressam-se a produzir sementes que garantem a continuidade da espécie. Mais tarde, já para o fim do Outono, quando o verde não é novidade, produzem folhas verdes que lhes garantem o crescimento e alimento necessário para viver o resto do ano. Missão cumprida, voltam novamente ao seu retiro subterrâneo onde permanecem protegidas na forma de pequenos bolbos até que no Outono seguinte as obrigações terrenas as obriguem a voltar a iluminar os nossos passeios outonais pelo campo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Outono

Morrem as folhas, renascem os prados.

sábado, 12 de outubro de 2013

Murmuration


Acho tão bonita esta intraduzível palavra que tão bem descreve um bando de estorninhos e tudo aquilo que sentimos quando temos a sorte de assistir ao espectáculo do seu voo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Bizarrias de encantar


Luigi Serafini . "Codex Seraphinianus"  (1981)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Bizarrias na varanda

?

Little city gardens

Viver na cidade mas manter a ancestral ligação à terra é, cada vez mais, uma tendência para ser levada a sério nas grandes cidades modernas. Quem diria?

domingo, 6 de outubro de 2013

Lazing on a Sunday Afternoon


Chorisia speciosa

Desolação


Desolada assisto ao desaparecimento das palmeiras na paisagem da minha cidade. Recuso-me a publicar fotografias de palmeiras doentes ou mortas mas quem anda pela cidade, de olhos abertos e cabeça no ar, sabe do que estou a falar. No futuro próximo não haverá palmeiras em Lisboa e a cidade ficará ainda mais triste e pobre.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

The world is full of wonders and miracles...


HERE was once a child, and he strolled about a good deal, and thought of a number of things. He had a sister, who was a child too, and his constant companion. These two used to wonder all day long. They wondered at the beauty of the flowers; they wondered at the height and blueness of the sky; they wondered at the depth of the bright water; they wondered at the goodness and the power of God, who made the lovely world.

Charles Dickens . "A CHILD'S DREAM OF A STAR"