terça-feira, 19 de outubro de 2021

Le Chêne et le Tilleul


Le Tilleul un jour dit au Chêne :
Que tu croîs lentement! tu quittes terre à peine,
Et mon front se perd dans les Cieux ; 
Qui croirait qu'un seul jour nous vit naître tous deux ?
Seul confident d'un doux mystère,
Sous mon favorable contour,
Je dérobe aux rayons du jour
La tendre et timide Bergère,
Que sans mon ombre solitaire,
Son Berger poursuivait en vain......
Le rendez-vous du lendemain
Est sous mon ombre salutaire. 
Sur mon écorce enfin la tremblante Glycère,
Traçant deux chiffres amoureux,
M'a chargé du beau soin d'éterniser ses feux.......
Zéphyre avec molesse agitant mon feuillage, 
Vient mêler son murmure aux voix de mille Oiseaux 
Qui bravent dans mon sein le soleil et l'orage.
Il n'est aucun de mes rameaux 
Où les amours de ce bocage
N'ayent reçu mille fois un vif et pur hommage....
Ma tête brille au loin ; ce n'est que par mon nom
Qu'on désigne mon voisinage.
Je pourrais bien avec raison
Peut-être en dire davantage ;
Mais je n'aimai jamais à me glorifier :
Sur l'inégalité que la nature sage
En répandant ses dons mit dans notre partage, 
Je me garderai d'appuyer.
Tandis que le Tilleul vantait son indulgence, 
Le Chêne croissait en silence.
Il poussait insensiblement Mainte racine profonde 
Qui s'étendant à la ronde, 
Dans ses fibres largement 
Pompaient la sève vagabonde,
Enfin ces grands rameaux obscurcirent les airs. 
Le Tilleul cependant, après quelques hivers, 
Commençait à courber la tête ;
Le Tilleul n'était déjà plus,
Et le Chêne bravait l'effort de la tempête;
Sous son feuillage alors par cent jeux ingénus 
Les innocens Bergers vont célébrer leur fête. 
C'est peu de résister aux vents :
Il résiste à la faulx du tems,
Et le vieillard glacé montre avec allégresse 
Aux gages fortunés de ses feux expirans,
Le témoin respecté des ans
Qui vit éclore sa tendresse ; 
En pleurant sous son ombre il bénit ses enfans,
Les jeunes cœurs, sous cet ombrage, 
Se promettent qu'un jour à leur postérité
Ils tiendront à leur tour un semblable langage;
Par un tendre coup d'oeil l'augure est accepté !
Le trépas, du Tilleul emporta la mémoire ; 
Le Chêne révéré vit encor dans l'histoire. 


Marie de France (1301 -1400)

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os dias das pequenas coisas


Sarah Affonso-Os dias das pequenas coisas, 
Tinta da China 2019

Para além de tudo mais, um título maravilhoso que bem podia ter sido o deste blogue moribundo.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Ver



 
 

2.” A fool sees not the same tree that a wise man sees" (Blake's Marriage of Heaven and Hell).

The letters of William Blake

quinta-feira, 10 de junho de 2021

No vale


 

terça-feira, 16 de março de 2021

É isto...


 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Chuva


 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

As cidadãs anónimas


«Não sei um dia mas alguma coisa me doía

Ou talvez não doesse mas havia fosse o que fosse

Era isso sentia a grande falta de uma árvore

Ruy Belo


[...] Lisboa deve às árvores que possui, às árvores de que se esquece, uma parte eloquente da sua beleza. Elas guardam, para nós, a cor, o alfabeto vegetal do silêncio, o atalho secreto da alegria.


O seu movimento parado é uma ilusão, pois as árvores são extraordinárias viajantes que se deslocam através de distâncias incalculáveis. Chegaram aqui vindas do Cáucaso, da Sibéria, do Tibete, da América…por ventos, por correntes marítimas, nos grandes invernos… ocultas nos pés dos escravos, escondidas algures na trouxa de um distraído mercador ou entre o pelo dos animais… E se estão ao pé de nós, sabemos também que estão sempre a partir. São fluidas. Mudam, de casca e de casa. Morrem. Migram da noite para o dia.


Aprendemos a contar por elas as estações do ano e as da nossa vida. Há as árvores da infância. As do nosso bairro, anos mais tarde. Há uma árvore que avistamos de relance em situações que depois não esquecemos mais. Lembro-me de ter visto o poeta Mário de Cesariny abraçar uma árvore como quem abraça um amigo. Foi uma coisa tão grande! - ficamos a vê-lo, encolhidos e calados que nem ratos.


Lisboa tem uma população admirável de árvores. Algumas delas estão classificadas e têm um estatuto semelhante ao do património construído classificado. Tudo isso está muito bem. Mas quando andamos pelas ruas de Lisboa e nos cruzamos com árvores elas não têm identificação alguma, são cidadãs anónimas! Raros são aqueles que as tratam pelo nome próprio. Mas outras cidades europeias têm junto das suas árvores, colado no chão, um pequeno letreiro com o seu nome.


Queria dedicar este texto ao Lódão que avisto da janela.»


José Tolentino Mendonça, “As cidadãs anónimas” in O hipopótamo de Deus e outros textos, 2.ª ed., Col. Alfinete 10, Assírio & Alvim, nov. 2010 (p. 77-8)

sábado, 21 de novembro de 2020

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Outono é tempo de torga nos pinhais



És homem, não te esqueças! 
Só é tua a loucura 
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII.

domingo, 4 de outubro de 2020