Pai
Dir-se-ia que o homem sofre de uma espécie de claustrofobia que o impede de viajar nos seus espaços internos, fugindo deles para a vastidão da exterioridade, e que quanto mais foge, mais se alheia de si. (...) Formou-se, assim, a ideia de que é no Mundo que se fazem os Homens, no contacto com a realidade, e não é o Homem que faz o Mundo com o conhecimento que lhe dá significado e, portanto, a existência. Um Cosmos coerente criado por si e não por Deus. E um dos méritos de Freud foi o de contribuir para alterar esse preconceito, estimulando a descoberta desse mundo interno desconhecido.
Enquanto a manipulação e o domínio do mundo exterior têm servido para violentar a Natureza, o conhecimento do mundo interno pretende compreendê-la e, assim, também compreender as tendências internas que estão na raiz dessa violência.
Mario Casimiro do texto "Agressividade" (1991)













