terça-feira, 10 de março de 2026

Pai

 




Dir-se-ia que o homem sofre de uma espécie de claustrofobia que o impede de viajar nos seus espaços internos, fugindo deles para a vastidão da exterioridade, e que quanto mais foge, mais se alheia de si. (...) Formou-se, assim, a ideia de que é no Mundo que se fazem os Homens, no contacto com a realidade, e não é o Homem que faz o Mundo com o conhecimento que lhe dá significado e, portanto, a existência. Um  Cosmos coerente criado por si e não por Deus.  E um dos méritos de Freud foi o de contribuir para alterar esse preconceito, estimulando a descoberta desse mundo interno desconhecido.

Enquanto a manipulação e o domínio do mundo exterior têm servido para violentar a Natureza, o conhecimento do mundo interno pretende compreendê-la e, assim, também compreender as tendências internas que estão na raiz dessa violência.

Mario Casimiro do texto "Agressividade" (1991)

domingo, 11 de janeiro de 2026

Último Poema

 



(...)

Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os dióspiros ardendo na sombra.
Quem assim tem o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.

Eugénio de Andrade, in 'Rente ao Dizer'


terça-feira, 29 de julho de 2025

bem visto...






 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Violeta brava


Viola riviniana
 

sábado, 16 de novembro de 2024

Porque é Outono




Larix decidua

Covão D'ametade . Lariço-Europeu


 

sábado, 1 de junho de 2024

Dos dias

  


A inteligência é o único meio que temos para dominar os nossos instintos 

S. Freud

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Uma questão de escala


 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 

With freedom, flowers, books, and the moon, …

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os dias das pequenas coisas


Sarah Affonso-Os dias das pequenas coisas, 
Tinta da China 2019

Para além de tudo mais, um título maravilhoso que bem podia ter sido o deste blogue moribundo.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Ver



 
 

2.” A fool sees not the same tree that a wise man sees" (Blake's Marriage of Heaven and Hell).

The letters of William Blake

quinta-feira, 10 de junho de 2021

No vale


 

terça-feira, 16 de março de 2021

É isto...


 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Chuva


 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

As cidadãs anónimas


«Não sei um dia mas alguma coisa me doía

Ou talvez não doesse mas havia fosse o que fosse

Era isso sentia a grande falta de uma árvore

Ruy Belo


[...] Lisboa deve às árvores que possui, às árvores de que se esquece, uma parte eloquente da sua beleza. Elas guardam, para nós, a cor, o alfabeto vegetal do silêncio, o atalho secreto da alegria.


O seu movimento parado é uma ilusão, pois as árvores são extraordinárias viajantes que se deslocam através de distâncias incalculáveis. Chegaram aqui vindas do Cáucaso, da Sibéria, do Tibete, da América…por ventos, por correntes marítimas, nos grandes invernos… ocultas nos pés dos escravos, escondidas algures na trouxa de um distraído mercador ou entre o pelo dos animais… E se estão ao pé de nós, sabemos também que estão sempre a partir. São fluidas. Mudam, de casca e de casa. Morrem. Migram da noite para o dia.


Aprendemos a contar por elas as estações do ano e as da nossa vida. Há as árvores da infância. As do nosso bairro, anos mais tarde. Há uma árvore que avistamos de relance em situações que depois não esquecemos mais. Lembro-me de ter visto o poeta Mário de Cesariny abraçar uma árvore como quem abraça um amigo. Foi uma coisa tão grande! - ficamos a vê-lo, encolhidos e calados que nem ratos.


Lisboa tem uma população admirável de árvores. Algumas delas estão classificadas e têm um estatuto semelhante ao do património construído classificado. Tudo isso está muito bem. Mas quando andamos pelas ruas de Lisboa e nos cruzamos com árvores elas não têm identificação alguma, são cidadãs anónimas! Raros são aqueles que as tratam pelo nome próprio. Mas outras cidades europeias têm junto das suas árvores, colado no chão, um pequeno letreiro com o seu nome.


Queria dedicar este texto ao Lódão que avisto da janela.»


José Tolentino Mendonça, “As cidadãs anónimas” in O hipopótamo de Deus e outros textos, 2.ª ed., Col. Alfinete 10, Assírio & Alvim, nov. 2010 (p. 77-8)

sábado, 21 de novembro de 2020

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Outono é tempo de torga nos pinhais



És homem, não te esqueças! 
Só é tua a loucura 
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII.

domingo, 4 de outubro de 2020


 

quinta-feira, 11 de junho de 2020