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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma lição de discrição e recato

 Tuberaria guttata

Sou uma jardineira preguiçosa a verdade é essa, sendo assim aproveito todo o trabalho que a natureza faz por mim. A chuva é a melhor das regas, o sol o melhor dos revigorantes, as folhas mortas depois de naturalmente decompostas são o melhor dos adubos e, como não podia deixar de ser, as flores espontâneas são as mais apetecidas num jardim onde se contempla mais do que se trabalha.

Mas não se julgue que isto de caçar e chamar a um jardim flores espontâneas é tarefa fácil, ao contrário das flores domesticadas que vivem para se exibir e receber mimos dos jardineiros, as flores espontâneas vêm ao mundo apenas com a missão de perpectuar a espécie e, obviamente, não se dão nada bem com os jardineiros que, a maior parte das vezes, lhes chamam ervas-daninhas e tudo fazem para acabar com a sua raça. Por estas e por outras quando estas bravas entram num jardim fazem-no discretamente e dá muito trabalho convencê las a ficar. 

A pequena Tuberaria guttata, uma das mais bonitas visitantes espontâneas do meu jardim é a grande especialista em passar desapercebida, custa acreditar nisto quando olhamos para estas fotografias que mostram uma flor de cores berrantes e forte contraste mas estas plantas têm a floração mais fugaz que eu conheço o que faz delas uma flor difícil de ver, as flores duram apenas breves horas, abrem de manhã e no início da tarde se as procurarmos já só conseguimos encontrar as suas pétalas caídas pelo chão (quando o vento não as leva), nessas breves horas de existência esta flor consegue, calculo, resolver  sem dificuldade o assunto da polinização e garantir a produção de sementes para o próximo ano. Diz quem sabe que em situações de crise (seja lá isso o que a Tuberaria quiser) esta menina é mesmo capaz de produzir sementes sem abrir as flores, cleistogamia chamam-lhe os entendidos.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Há dias de sorte


Tuberaria guttata 

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Charneca em flor


Helianthemum . Cistaceae

A Charneca é um terreno não cultivado, árido e pedregoso, onde só medram plantas rasteiras ou silvestres (Tojos, Urzes, Estevas...). 

O intraduzível "Moor" dos ingleses, é muitas vezes (calculo que em desespero de causa) traduzido por charneca. Mas a verdade é que não são a mesma coisa.

Adiante... Pelas nossas charnecas, por esta altura do ano, estão a florir as Cistaceae, vulgarmente conhecidas por Estevas, Sargaço ou Rosas-das-rochas. É uma família botânica numerosa e em Portugal podem ser encontradas dezenas de espécies, espontâneas, destas plantas fabulosas. Já os Ingleses que queiram ver as Cistaceaes, ou viajam até às nossas charnecas, ou dão-se ao difícil  trabalho de as cultivar.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Rosêlha-pequena

Cistus crispus L. - Ericeira

Mais um grupo

Cistaceas de todo o mundo no Flickr


Saganho-Mouro

Cistus salviifolius L. - Ericeira

Alcar

Tuberária lignosa Samp.* Cistáceae
A família das Cistáceas é muito comum em Portugal, são em geral plantas que conseguem tirar partido dos solos mais pobres, achei graça quando ao consultar o site de um Inglês que cultiva Cistáceas, ele alertava para o "perigo" dos solos ricos e fertilizados no cultivo destas plantas. A germinação das sementes é activada pelo calor e mesmo pelo fogo, sendo esta provavelmente outra razão que justifica o seu sucesso por cá.
Em Portugal o género Cistus Lin. é muito comum e variado como justificam a grande variedade de nomes populares (Estêva; Ládano; Lábdano; Roselha; Xara, Estevão; Rosêlha; Saganho; Sargaço; Estevinha...). No Alentejo descobriu-se recentemente a grande riqueza que constituem os óleos essenciais da muito comum Esteva (Cistus ladanifer).
Existem outros géneros porventura menos conhecidos na família das cistaceas, Halimium, Helianthemum, Fumana e Tuberária, são plantas espontâneas comuns em Portugal apesar de alguns exemplares específicos estarem em perigo de extinção.
Curiosamente, se os nomes comuns das Cistus estão bastante documentados, para os restantes géneros não são fáceis de encontrar (pelo menos em Português). O Género Tuberária (sin. Xolantha), recebe este nome por causa da forma das raízes (Túberas= Trufas) por esta razão recebem nomes comuns como Tuberária ou Erva-das-Túberas.

A Tuberária lignosa Samp.* ou Xolantha tuberaria é chamada pelo povo, Erva-da-Desinfecção e utilizada em infuso contra úlceras e feridas de difícil cicatrização, chamam-lhe ainda Arcádia, Arouca, e Alcar. Alcar? Alguém sabe porquê.
*Gonçalo Sampaio em Flora Portuguesa

segunda-feira, 7 de maio de 2007

O Flecha



A guardar o meu maior tesouro. A minha reserva de plantas espontâneas.



Tuberaria guttata ou Xolanta gottata


E flores silvestres.