quarta-feira, 14 de maio de 2014

Só isto


I believe in pink. (Audrey Hepburn)


segunda-feira, 12 de maio de 2014

O retrato de um cheiro

Pelargonium citronellum
Há plantas que não podemos apreciar devidamente se não tivermos a oportunidade de as cheirar. Esta é uma delas

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma lição de discrição e recato

 Tuberaria guttata

Sou uma jardineira preguiçosa a verdade é essa, sendo assim aproveito todo o trabalho que a natureza faz por mim. A chuva é a melhor das regas, o sol o melhor dos revigorantes, as folhas mortas depois de naturalmente decompostas são o melhor dos adubos e, como não podia deixar de ser, as flores espontâneas são as mais apetecidas num jardim onde se contempla mais do que se trabalha.

Mas não se julgue que isto de caçar e chamar a um jardim flores espontâneas é tarefa fácil, ao contrário das flores domesticadas que vivem para se exibir e receber mimos dos jardineiros, as flores espontâneas vêm ao mundo apenas com a missão de perpectuar a espécie e, obviamente, não se dão nada bem com os jardineiros que, a maior parte das vezes, lhes chamam ervas-daninhas e tudo fazem para acabar com a sua raça. Por estas e por outras quando estas bravas entram num jardim fazem-no discretamente e dá muito trabalho convencê las a ficar. 

A pequena Tuberaria guttata, uma das mais bonitas visitantes espontâneas do meu jardim é a grande especialista em passar desapercebida, custa acreditar nisto quando olhamos para estas fotografias que mostram uma flor de cores berrantes e forte contraste mas estas plantas têm a floração mais fugaz que eu conheço o que faz delas uma flor difícil de ver, as flores duram apenas breves horas, abrem de manhã e no início da tarde se as procurarmos já só conseguimos encontrar as suas pétalas caídas pelo chão (quando o vento não as leva), nessas breves horas de existência esta flor consegue, calculo, resolver  sem dificuldade o assunto da polinização e garantir a produção de sementes para o próximo ano. Diz quem sabe que em situações de crise (seja lá isso o que a Tuberaria quiser) esta menina é mesmo capaz de produzir sementes sem abrir as flores, cleistogamia chamam-lhe os entendidos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Micro dramas de uma hortelã

Desconfio que as formigas roubaram as sementes dos rabanetes.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ervilhas de cheiro

Lathyrus odoratus



Na horta


Solanum melongena

Esperam-se, se tudo correr bem, beringelas lá mais para o Verão.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Golden columbine

 Aquilegia chrysantha
Uma americana feliz no meu jardim.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

Dias com faias

Fagus sylvatica

A minha mais nova


Fagus sylvatica purpurea

domingo, 27 de abril de 2014

To roam*


Ever let the Fancy roam,
Pleasure never is at home:
Keats

*to travel or walk about with no fixed purpose or direction; wander

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Jacinto-serôdio


Dipcadi serotinum
Flower in the crannied wall,
I pluck you out of the crannies,
I hold you here, root and all, in my hand,
Little flower -but if I could understand
What you are, root and all, and all in all,
I should know what God and man is.

Alfred Lord Tennyson




domingo, 20 de abril de 2014

Caçadora de Orquídeas



Ophrys apifera Huds.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mais umas ilhas na minha vida.


Não somos a casa
somos a montanha
e o relento

José Tolentino de Mendonça

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uma árvore no paraíso

Terminalia catappa L. - Paraty


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pascoínhas

Coronilla valentina

quarta-feira, 2 de abril de 2014

No Jardim

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão

e assim se perdem os nossos bons campos.

Não se vêem vírgulas entre as casas, o que torna tão difícil a sua leitura e as ruas tão cansativas de percorrer.
A frase nas cidades é interminável. Mas fascina, e os campos são abandonados pelos trabalhadores outrora corajosos que agora querem inteirar-se por si próprios do texto admiravelmente retorcido, de que toda a gente fala, tão difícil de seguir, não raro impossível.
Embora tentem fazê-lo, esses trabalhadores opiniosos, andando sem cessar, lambem à passagem as doenças dos esgotos e a lepra das fachadas, mais do que o sentido que continua oculto. Drogados de miséria e de fadiga, deambulam em frente das montras, desviando-se por vezes do seu intuito, a sua busca nunca… e assim se perdem os nossos bons campos.

Henri Michaux . Antologia
Relógio d’Água, 1999
Tradução de Margarida Vale de Gato

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Sr.Lineu também se enganava


Scilla peruviana L.

O Mundo não seria o mesmo sem a genial ordem que o Sr. Lineu lhe instituiu, sem ele o Mundo era como aquelas casas muito desarrumadas onde, por mais que se procure, nunca se consegue encontrar nada. A enorme generosidade e dedicação com que o Sr. Lineu se entregou à descomunal tarefa de nos legar um mundo arrumadinho merece toda a nossa veneração e gratidão. 

Mas era humano o Sr. Lineu, e, como tal, às vezes enganava-se, enganou-se quando ao nomear esta nossa formidável scilla a outorgou para toda a eternidade ao Peru. Os Ingleses ainda tentaram remediar a injustiça, chamam-lhe Portuguese squill, mas é quase impossível mudar os lugares em que o Sr. Lineu arrumou as coisas e  por isso esta cila dificilmente deixa de ter fama de Peruana quando afinal é uma ilustre mediterrânea. 

Já nós em Português nunca lhe tentámos fazer justiça ou reivindicar a sua origem, só lhe conheço o nome comum, Cila-do-Peru, mais um exemplo do desprezo que temos pela nossa flora.