quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As árvores de Botelho



S. Pedro de Alcântara,1949 
Costa do Castelo, 1946 
S. Pedro de Alcântara, 1942

As perturbadoras árvores da Lisboa de Botelho, são enfezadas, deformadas, intrometidas e escuras. Estas árvores franzinas, tristes e mal cuidadas não foram criadas pelo imaginário do pintor, são um tipo de árvores bastante comum ainda hoje por toda a cidade, procuro muitas vezes entender por que desígnio misterioso é que em Lisboa existem tantas árvores assim.
Da mesma forma que Botelho escolheu pintar o casario em vez dos monumentos; os chafarizes em vez das estátuas; os vultos curvados em vez das vidas; o silêncio em vez do barulho... Escolheu estas árvores para a sua Lisboa. Representou-as com particular cuidado e precisão, nas suas telas elas assumem sempre muito mais protagonismo do que as figuras (vultos) humanas. Na Lisboa de Botelho, estas que são as árvores do meu descontentamento, ganham contornos quase humanos que comtemplam silenciosas a cidade atentas às mudanças que estão para acontecer e a complexidade das suas ramificações, que o pintor representa minuciosamente, surgem como elementos de esperança, unificadores de um espaço (a cidade) que se pretenderá dinâmico, vivo e moderno, estas árvores entretanto deviam ter crescido, pelo menos gosto de imaginar que era isso que o Carlos Botelho esperava delas, mas continuam pequeninas e contorcidas.

1 comentário:

as-nunes disse...

Caro amigo
Vou muito raramente a Lisboa.
Mas estas pinturas, excelentes e cheias de alma, levaram-me a pedir-lhe um favor. Será que me pode confirmar se ainda existem nos mesmos sítios e os respectivos nomes?
Também gosto muito de temas relacionados com árvores.
Um abraço e Bom 2008...vamos lá aver!
António