domingo, 28 de outubro de 2007

Guerreiros sem Armas


"As flores da dona Joana e o arco-íris da dona Maria
Em vez de ver uma favela e pensar em tudo o que aprendeu sobre favela, mude o foco para a dona Joana, que tem um monte de latinhas de ervilha, de óleo, que é o recurso que ela tinha e onde plantou flores maravilhosas que não tem nem no orquidário. Não tem na melhor floricultura. Porque tem muito amor naquelas flores. Então, você olha na favela você vê isso, não fica só vendo a favela e dizendo: “Que horror, a Prefeitura deveria fazer alguma coisa”. Vemos essa dona Joana e corremos para lá. Porque a vida está lá. Começa-se a conversar com a dona Joana, perguntar sobre sua história, e ela fica surpresa porque alguém a notou. Aquilo ela criou. “Já que aqui é tudo um horror, vou criar um espaço de beleza para mim, para eu sobreviver”. Tem também a dona Maria. O que ela faz? Lava roupa o dia inteiro para ganhar um dinheirinho. Só que ela não se dá por vencida. Ela pendura a roupa dela em dégradé. Faz um arco-íris com as roupas. Então, o branquinho, o amarelinho mais “clarinho”, o mais escuro, o laranja, o vermelho, o lilás. E é um arco-íris. Todo dia é um arco-íris na casa dela. Ninguém vê, mas ela sabe. Quando alguém vê, reconhece.

Juntamos à dona Maria a dona Joana, o seu Joaquim, que fazia barcos no Nordeste. Botamos todo mundo junto e falamos: “Você não conhece a história da dona Joana?” Estimulamos: “Dona Joana, conta.” Quando ela começa a contar vê que o pessoal da comunidade dela também gosta. E outro começa a contar e vão chegando outras pessoas e todos se admiram ao perceber que tinham tudo aquilo. Cria-se aí um clima bom para construir. Depois falamos assim: “O que a gente pode fazer com tudo isso?” Que beleza: “Ah, vamos fazer uma praça!” E o seu Joaquim, que fez barcos espetaculares, faz os bancos. E não é qualquer banco, porque em nenhum lugar tem outro igual. E começamos a provocar: “Olha, a gente não quer qualquer praça, tem que ser uma praça melhor que a do Gonzaga”.

A disputa é muito estimulante. “Quero que as pessoas cheguem aqui e fiquem morrendo de inveja.” Elas começam a se animar, a brincar e a construção fica pronta. Qualquer ser humano fica muito mais feliz quando se doa. Traz muita energia para nós, talvez a mais forte. Nos damos conta de que fomos importantes para alguém, que a atuação foi significativa e contribuiu para melhorar a vida de outras pessoas. Os Guerreiros sem Armas são assim. Jovens que vão lembrar para as pessoas que a vida delas é maravilhosa."

Edgard Gouveia Júnior
via . Paisagir

2 comentários:

lucia disse...

Belo exemplo, precisamos tanto destes guerreiros do bem, sem armas! Compartilho a admiracao por Thoreau!

Danilo Ribeiro disse...

Maneiro o blog ..o post mto bom lá no meu tbem tem um post falando deles
http://daniloribeiro3.blogspot.com/

abração