domingo, 20 de maio de 2007

Árvores Veneráveis #2

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Dracaena draco . Bairro da Petrogal-Bobadela

Mesmo às portas (Orientais) de Lisboa, ao lado da zona de intervenção da expo 98 mas já no concelho de Loures, existe uma zona, creio que com cerca de doze hectares, chamada Bairro da Petrogal, nunca tinha ouvido falar de tal sítio, até que uns dias atrás um leitor deste blog me escreveu relatando o misterioso desaparecimento no local de uma Oliveira multissecular classificada de interesse público com a refª KNJ1/122 (única árvore classificada do Concelho de Loures).

Temendo ter-se enganado J.M. volta alguns dias mais tarde ao local onde tira algumas fotografias a este espantoso Dragoeiro e a outras árvores de grande porte, que ele acredita estarem em perigo.


Não tenho conhecimentos técnicos para avaliar a idade destas árvores, mas parece-me evidente que o Dragoeiro é mais antigo do que as construções vizinhas (prestes a serem demolidas) que aparentam ser dos anos 40-50. Não sei a quem se deve o notável coberto vegetal deste local, o cuidado pela preservação ao longo dos séculos e posterior classificação da Oliveira multissecular, quem plantou por aqui um Dragoeiro, árvore tão invulgar entre nós, quem o tratou com o respeito e carinho que podemos ainda vislumbrar no seu porte venerável, quem plantou a alameda de palmeiras,... Se alguma réstia dessas almas puras ainda por aqui andava, foi decerto banida juntamente com a Oliveira.

É por respeito para com estas almas desconhecidas e para que as gerações futuras tenham o prazer de conviver com árvores veneráveis, que temos de salvar este Dragoeiro.

Olival junto à Fabrica da Sacor 1960

10 comentários:

Pedro n. t. santos disse...

Olá,

Vou ajudar a divulgar este apelo através da Sombra Verde.

Ver disse...

Obrigada, Pedro.

Júlia Galego disse...

No concelho de Loures conheço outro dragoeiro na Quinta do Conventinho, onde está instalado o museu municipal.
Mas este, suponho, está bem cuidado (já há algum tempo que lá não vou).
Há no espaço da quinta um olival e outras árvores.

Maria Lua disse...

Olá,

Eu que moro no concelho só posso dizer o seguinte: na região saloia as árvores não valem nada, absolutamente nada...
A zona da Expo sofreu atentados gravissímos ao espaço verde que por essas bandas existia (resistia!) em troca de muito cimento, por isso não creio que haja salvação para este Dragoeiro... Desculpa ser tão derrotista mas no meu concelho, infelizmente, a pobreza de amor pelas árvores é enorme.
São tantas as veneráveis árvores abatidas só nos últimos dois anos... Existe uma realeza, que por alguma razão foi poupada, apesar de podada (vamos ver se esta intervenção não será uma especie de veneno), na construção de uma nova urbanização. Parece ser um sobreiro, mas ainda não consegui chegar perto e estou a ver se levo alguém comigo com máquina digital, e então mostrar esse tesouro (depois farei um post no meu blogue).
Para a Júlia Galego: aconselho uma nova visita à Quinta do Conventinho e vejam o que eles fizeram às centenárias árvores na almeda que leva ao dito museu... à conta da dita poda, deixaram paus, ou seja, é só um tronco mais nada, só troncos! E se tiver tempo, espreite os plátanos em redor da C.Municipal de Loures e observe mais troncos. Foi o que restou, os troncos e alguns ramos desesperados...
Como vés, na região saloia só mesmo hortaliça, tudo o resto tapa a vista!
Sem contar que vivo numa aldeia inserida numa zona verde protegida e está projectado um parque eólico (já começa a existir ventoinhas nas Fontelas e por todas as serras em volta, mas haverá muitas mais) e que há 3 anos que a Junta de Lousa e mais uns quantos capitalistas, compram os terrenos aos antigos agricultores (já velhotes ou que morreram) para este desvario (que os vão deixar cheios de dinheiro) e ninguém diz nada (ou quando alguém faz perguntas - como é meu caso - nem respondem e "fogem" às questões) ?
E muito mais... Sinto um nó de tristeza sempre que falo ou oiço falar do meu Concelho...

Maria Lua disse...

Em todo caso, vou averiguar sobre a única árvore classificada do Concelho de Loures e ver o que consigo saber/descobrir.
Obrigado.

Pedro Alves disse...

Cara Maria Lua,

Tambem resido no concelho de Loures, com vista para a pequena aldeola Fontelas.
É verdade que as árvores por estas zonas sao poucas, mas queira ver que existem dois factores: nas zonas baixas, planas, mais húmidas ou férteis, o terreno é aproveitado para cultivo e nas zonas com um relevo mais montanhoso o solo é pobre, com muita pedra calcária. Assim sao poucas (infelizmente) as zonas arborizadas densamente.

Mas não posso deixar de fazer referencia ao facto que, a reflorestação que foi feita por estas zonas, é de uma burrice atroz, pois foram plantados em larga escala pinheiros e cedros. Estas especies não são autoctones e são um autenco barril de polvora no que toca a incendios. Deveriam sim ter sido plantados carvalhos e sobreiros.

No que toca aos parques eolicos emergentes creio que está mal informada sobre o assunto... Os parques eolicos são do beneficio de todos, é energia limpa com um impacto ambiental proximo de zero! Eu tenho formação na area e tenho visto e ouvido cada disparate sobre os aerogeradores que fico completamente atonito. Ora vejamos:
- os aerogeradores sao colocados no topo das serras, sitio onde existem poucas ou nenhumas arvores;
- quanto a animais é nulo o impacto;
- para o ser humano, hoje em dia é diminuto, dado que a evoluçao foi tamanha nos ultimos anos, o que faz com que o barulho seja cerca de um decimo do permitido por lei.(junta da base da torre, onde quase nunca ha casas)
O unico problema que conheço acerca de parques eolicos, e é em Lousa, é o facto da recepçao de televisao via VHF/UHF ficar fragmentada em algumas zonas da vila, algo que facilmente se resolve com a colocaçao de um repetidor de ondas...
Mas se tiver alguma questao acerca de parques eolicos nao hesite em peguntar, terei todo o gosto em responder!

Cumprimentos,

Maria Lua disse...

Finalmente uma resposta sobre essa Oliveira, quanto ao Dragoeiro e Palmeira não devem ter resistido... E, na minha opinião, a Oliveira sobreviveu porque era classificada...
A resposta aqui: http://mariapudim.blogspot.com/2007/08/oliveira-pluricentenria-classificada-de.html
Obrigado.
Quanto ao comentário que deixou para mim o Pedro Alves, terá a resposta de ficar para outra altura, não está esquecido, apenas o tempo não "estica". Mas, Pedro Alves, espero em breve dar-lhe uma resposta com base em muitos estudos/pesquisas/opiniões sobre esse problema das "ventoinhas" ou parques eólicos quanto mais em zonas verdes protegidas... Farei um post e deixarei comentário no seu blogue para ter conhecimento. Obrigado pela sua partilha/comentário.
Até breve.

noche disse...

já estive neste espaço

fui lá parar por acaso num passeio de bicicleta mais longo (moro em lisboa) e achei engraçado porque apesar de degradado parece um oásis com as industrias e a estrada nacional mesmo ao lado... e recordo-me de ainda ver por lá o dragoeiro. espero que continue...

mas deixo este comentário tambem porque hoje estive no jardim botânico de onde trouxe sementes de dragoeiro mas não sei de que forma as poderei fazer "germinar". alguma dica?

§©ªJoker«¬­® disse...

Meus amigos
Eu cresci nesse bairro, e até a altura em que o deixei de vez,1988, esse era um local paradisiaco para se viver, e se não me engano existe perto desse local outra arvore dessas, mas vou passar lá e tentar ver se ainda existe, fotografar e colocar aqui para vosso agrado.

Paulo disse...

Junto dessas árvores tem um pequeno lago,... Ainda tive a sorte de ver com peixes esse lago. No meu tempo de criança. Tenho muita pena de ver esse local abandonado, descuidado. E com um jardim que era lindíssimo e que poderia ser.
Paulo Catarino.