
Subordinado ao tema " O Lixo na arte dos Jardins" decorre em Ponte de Lima o Festival Internacional de Jardins. Confesso que o tema, da forma como é apresentado, não me entusiasma. As palavras, arte e lixo, fazem-me temer um tipo de abordagem já bastante gasto e pouco fértil. As garrafas de plástico, as embalagens, a sempre politicamente correcta reciclagem... E muito pouca atenção ao que deve de facto ser um jardim.
Numa visita ao site do Festival, pude constatar com alívio que alguns participantes, desenvolveram conceitos muito interessantes, é o caso projecto do Arquitecto Laurent Bonne - AS PLANTAS RECICLAM
"Aqui as plantas são colectores de lixo - filtram as substâncias químicas nas suas fibras tornadas resistentes.(...) dois jardins foram plantados: um para plantas que filtram o ar e outro para plantas que filtram a terra.
À direita, o girassol, Helianthus annuus, tem a capacidade de digerir o chumbo no solo dos locais anteriormente ocupados por indústrias pesadas. O tabaco, Nicotiana alata, consegue armazenar o cádmio. A mostarda, Sinapis arvensis, tem a capacidade de absorver o gasóleo. E, finalmente, a grama, Agropyrum repens, que consegue filtrar o zinco. As fibras cheias de poluentes devem ser imediatamente cortadas, incineradas e as cinzas processadas.
À esquerda, os crisântemos, Chrysanthemum, purificam os solventes provenientes de colas, tintas ou de feltros. Os clorofitos, Chlorophytum, retêm o gás tóxico formaldeido, presente nos painéis de partículas dos nossos móveis. O falso papiro, Cyperus diffusus, absorve as toxinas no nosso ar interior, poluído pelos produtos domésticos, as tintas, os plásticos. Estas plantas podem ajudar-nos a reabsorver estes produtos tóxicos irritantes, alergénicos e até cancerígenos.
O mundo é um vasto ecossistema que inclui os nossos resíduos químicos. Houve um tempo em que a natureza morria ao entrar em contacto com estes novos elementos químicos agressivos. Depois desenvolveu meios de defesa e de reabsorção da poluição para formar ecossistemas reparadores. Estas considerações despoluidoras levam-nos a mudar de ponto de vista em relação às plantas e reforçam o espírito de simbiose entre os nossos ciclos de vida compartilhada, naturais e artificiais."
Destaque ainda para o projecto LIXO-A ARTE É EVITA-LO concebido pela - Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais- que oportunamente lembra "um jardim sem desperdícios não produz lixo"