terça-feira, 12 de junho de 2007

Caminhos

Ipomoea purpurea
O FLORIR
O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos...

O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida ...

O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída...

As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem ...

Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados...
Caminho sem fim...

em: Ficções do Interlúdio- Poesias de Álvaro de Campos

domingo, 10 de junho de 2007

Fel-da-terra





Erythraea centaurium

Algumas flores silvestres não são fáceis de encontrar, recordo que nunca vi uma Rosa-albardeira, ou a maioria das Orquídeas silvestres que existem em Portugal ou tantas outras flores que procuro com atenção. Desde que vi aqui esta Fel-da-terra que a tento encontrar, parece que é muito comum e a procura não previa dificuldades. O que não esperava é que esta lindinha viesse ter comigo, apareceu literalmente à porta de minha casa.

Escala 1


Serve este post para mostrar que algumas das flores que eu mais gosto, são mesmo muito pequeninas.
(e não tenho máquina para elas)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Qual é ela ?

Actinidia deliciosa
O fruto é um bocadinho exótico mas muito comum por cá.
E a resposta é: o Kiwi

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dois tristes Teixos

Taxus bacatta . Lisboa - Marquês de Pombal

Algumas árvores mesmo sem terem dimensões ou idades veneráveis, merecem o estatuto de árvores A VENERAR. Tratar com desprezo uma árvore a venerar, devia ser punido por lei. Uma árvore a venerar não pertence apenas às gerações de homens que as semeiam, plantam e cuidam, uma árvore a venerar é uma árvore que pertence a muitas, muitas gerações, são árvores com vidas longas, algumas chegam a viver milhares de anos e isto só é possível se os homens, pelas vidas dos quais elas generosamente passam, as venerarem verdadeiramente.

O Teixo é uma árvore a venerar, infelizmente poucos o fazem e por isso cada vez é mais raro encontrar um Teixo venerável.



No Parque Eduardo VII existem dois Teixos, provavelmente um “casal” (a espécie é dióica). Salta à vista que estes dois Teixos são árvores infelizes e desprezadas. Houve alguém que um dia, se deu ao trabalho de escolher cuidadosamente, talvez mesmo semear, um “casal” de pequenos teixos, plantou-os, cuidou deles, e partiu com a certeza de que tinha feito algo de útil para as próximas gerações. Com que direito aqueles que herdam a responsabilidade de tratar destes dois teixos os fazem infelizes.



Teixo feliz . Paris - Montmartre

No Campo


terça-feira, 5 de junho de 2007

Na cidade


segunda-feira, 4 de junho de 2007

Previsões



Para os próximos dias, céu azul, calor, muito sol e a doce purple rain

DÚ VIDAS


Será que:
Gosto tanto do campo, que não consigo viver sem a cidade.
Ou
Gosto tanto da cidade, que não consigo viver sem o campo.

sábado, 2 de junho de 2007

Borboletário no Jardim Botânico


A dança das Monarcas

Pavão diurno

Um espaço mágico, criado por gente iluminada onde podemos, parar pensar, sonhar, imaginar, aprender, rir, contemplar, brincar..... Porque afinal,


(...)
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro

sexta-feira, 1 de junho de 2007

E a diversidade?

Alameda com celtis australis . Lisboa

No último volume publicado (nº7 – Floresta e sociedade uma história em comum) da colecção Árvores e florestas de Portugal, um dos capítulos é dedicado às árvores de Lisboa. Com base em levantamentos feitos em 1929, 1939, 1981 e 2003 é apresentada uma lista com as 10 variedades de árvores mais utilizadas em Lisboa nas respectivas datas. Confirmei por lá um dado que há muito tinha constatado quando como é hábito ando de cabeça no ar. A grande vencedora neste top 10 das árvores de Lisboa é sem margem para dúvidas e ao longo dos 70 e tal anos a que se refere o estudo, o LÓDÃO BASTARDO (celtis australis) também conhecido em Portugal por: Agreira, Lódão, Lodoeiro, Ginjinha-de-Rei, Nicreiro, Lamigueiro, Lodo ...

É uma árvore que nunca me entusiasmou, fiz uma pesquisa rápida sobre esta espécie, esperando ver confirmadas as desconfianças que ela me suscitava, mas cheguei à conclusão que os responsáveis pelas árvores de Lisboa escolheram uma árvore para a qual dificilmente são encontrados defeitos. Este Lódão bastardo é só qualidades e cumpre à risca e com nota máxima todas as exigências que lhe são feitas na cidade. Madeira de grande qualidade, resistência à poluição e às doenças, frutos (drupas) comestíveis muito apreciados pelos pássaros, boa adaptação ao tipo de solos e clima de Lisboa, é inclusivamente, embora o seu nome possa induzir a engano, espontânea em Portugal o que politicamente falando só lhe fica bem, não tem características invasoras porque embora seja fácil de reproduzir por semente a germinação exige condições especiais, é uma árvore muito disciplinada, limpinha e bem comportada, tudo qualidades apreciadas pelos, pouco criativos, jardineiros da capital. Não é por acaso que ainda analisando este top 10 confirmo que a utilização das árvores mais indisciplinadas, mesmo quando cheias de atractivos como é o caso das Olaias é cada vez menor.

É impossível sair à rua em Lisboa sem ver um Lódão bastardo, ou mesmo uma rua ou avenida repleta de Lódãos bastardos todos muito arrumadinhos e direitinhos como convém. Perdoem-me os pobres Lódãos que não têm culpa, mas a verdade é que já nem os posso ver são enfadonhos e monótonos estes Lódãos de Lisboa. Desconfio que os Lisboetas devido ao convívio forçado com esta enorme quantidade de árvores normalizadas e sem alma começam também a ficar todos iguais, cinzentos e infelizes.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A florir


Tília americana

Não é o florir que faz das Tílias umas árvores tão especiais, mas eu não consigo ficar indiferente a este florir tão caladinho. Estas Tílias americanas são lindas e no Inverno têm os ramos encarnados.


quarta-feira, 30 de maio de 2007

Aquele único exemplo

(...)

Favorecei a antigua
Sciencia que já Achiles estimou;
Olhai que vos obrigua,
Verdes que em vosso tempo se mostrou
O fruto daquella Orta onde florescem
Prantas novas, que os doutos não conhecem.

Olhai que em vossos annos
Produze huma Orta insigne varias ervas
Nos campos lusitanos,
As quaes, aquellas doutas e protervas
Medea e Circe nunca conheceram,
Posto que as leis da Magica excederam.
(...)


Este é um excerto do primeiro poema que Luís de Camões viu impresso e publicado. Foi no prefácio da obra "Colóquio dos simples" do seu amigo Garcia de Orta, publicada em Goa no ano de 1563.




Esta obra admirável de Garcia de Orta, cujo nome original é: "Coloquios dos simples e drogas e cousas mediçinais da India, e assi dalgumas frutas achadas nella, onde se tratam algumas cousas tocantes a medicina pratica, e outras cousas boas pera saber, composto pelo doutor Garcia d’Orta, fisico del’rey nosso senhor", apresenta um conhecimento feito da observação e da experiência que é considerado precursor da ciência moderna, do método científico e muito invulgar no seu tempo (sec XVI).
Baseia-se na sua experiência de trinta anos na Índia, onde, entre outras coisas, plantou e comercializou especiarias, teve um horto, uma plantação de ervas medicinais que estudou profundamente, viajou, acompanhou expedições militares, recolheu informações várias, estudou a nomenclatura local das doenças e dos seus remédios.... E comparou com o que aprendera na Europa.

Garcia de Orta escreveu o seu livro em Português porque pretendia que ele chegasse não apenas às elites, que comunicavam entre si em Latim, mas a todos a quem as informações podiam ajudar ou iluminar. Um resumo do seu trabalho é posteriormente traduzido para latim por Charles de l'Écluse e consagrado na Europa, mas em Portugal os seus Livros são condenados e destruídos pela inquisição logo após a sua morte.






Gravuras de Cristovão da Costa . 1578

Um dos seus discípulos, Cristovão da Costa ou Christobal d’Acosta de Buenaventura, O Africano. Recupera a obra de Garcia da Orta, acrescida dos dados recolhidos por Costa pessoalmente e dos desenhos que inseriu no seu Tractado. E conseguiu uma difusão através do mundo.
Sobre Garcia da Orta e os seus divulgadores




terça-feira, 29 de maio de 2007

No Parque

Tilia americana . Parque Eduardo VII

Ontem fui buscar a minha filha mais nova à escola, perguntei-lhe - Vamos para casa ou vamos ver os Jacarandás? - Vamos ver os jacarandás, foi a resposta pronta.
Fomos ao Parque Eduardo VII, ali pertinho da feira do livro, mas não fomos comprar livros e gelados como é hábito nesta altura do ano.
Vimos os Jacarandás, vimos a flor muito pequenina da Tília americana, mesmo ao lado a flor muito grande da Magnólia grandiflora, procurámos flores encarnadas, porque lhe apetecia, mas só havia uma rosa muito velhinha, contámos os passos de gigante para chegar até ao canteiro dos Acantos e tirámos uma fotografia que mostra que os Acantos ainda são maiores do que a Marta, qualquer dia deixam de ser, reparámos que os Agapantos estão nervosos para florir, admirámo-nos com os enormes Castanheiros da Índia e apanhámos os pequenos ouriços ainda verdes, um bocadinho assustadores- disse a Marta- picam e até servem para pregar umas partidas... Lá para o Outono vão dar castanhas para os cavalos, porque as castanhas do senhor das castanhas, essas estão nos Castanheiros do campo.


Alameda central do Parque Eduardo VII - Nos meus sonhos

E mais uma vez lamentei que a alameda central do Parque Eduardo VII com aquela triste topiária não sirva para nada, que bom que era um prado com flores silvestres naquele local.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Eles



Av. D. João V - Lisboa

domingo, 27 de maio de 2007

Dias de chuva

Sparganium ?

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.

Ambos existem; cada um como é

Alberto Caeiro


sábado, 26 de maio de 2007


Subordinado ao tema " O Lixo na arte dos Jardins" decorre em Ponte de Lima o Festival Internacional de Jardins. Confesso que o tema, da forma como é apresentado, não me entusiasma. As palavras, arte e lixo, fazem-me temer um tipo de abordagem já bastante gasto e pouco fértil. As garrafas de plástico, as embalagens, a sempre politicamente correcta reciclagem... E muito pouca atenção ao que deve de facto ser um jardim.


Numa visita ao site do Festival, pude constatar com alívio que alguns participantes, desenvolveram conceitos muito interessantes, é o caso projecto do Arquitecto Laurent Bonne - AS PLANTAS RECICLAM


"Aqui as plantas são colectores de lixo - filtram as substâncias químicas nas suas fibras tornadas resistentes.(...) dois jardins foram plantados: um para plantas que filtram o ar e outro para plantas que filtram a terra.

À direita, o girassol, Helianthus annuus, tem a capacidade de digerir o chumbo no solo dos locais anteriormente ocupados por indústrias pesadas. O tabaco, Nicotiana alata, consegue armazenar o cádmio. A mostarda, Sinapis arvensis, tem a capacidade de absorver o gasóleo. E, finalmente, a grama, Agropyrum repens, que consegue filtrar o zinco. As fibras cheias de poluentes devem ser imediatamente cortadas, incineradas e as cinzas processadas.

À esquerda, os crisântemos, Chrysanthemum, purificam os solventes provenientes de colas, tintas ou de feltros. Os clorofitos, Chlorophytum, retêm o gás tóxico formaldeido, presente nos painéis de partículas dos nossos móveis. O falso papiro, Cyperus diffusus, absorve as toxinas no nosso ar interior, poluído pelos produtos domésticos, as tintas, os plásticos. Estas plantas podem ajudar-nos a reabsorver estes produtos tóxicos irritantes, alergénicos e até cancerígenos.

O mundo é um vasto ecossistema que inclui os nossos resíduos químicos. Houve um tempo em que a natureza morria ao entrar em contacto com estes novos elementos químicos agressivos. Depois desenvolveu meios de defesa e de reabsorção da poluição para formar ecossistemas reparadores. Estas considerações despoluidoras levam-nos a mudar de ponto de vista em relação às plantas e reforçam o espírito de simbiose entre os nossos ciclos de vida compartilhada, naturais e artificiais."

Destaque ainda para o projecto LIXO-A ARTE É EVITA-LO concebido pela - Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais- que oportunamente lembra "um jardim sem desperdícios não produz lixo"



À Flor do Mar



Armeria welwitschii

Erva-de-curvo; Erva-divina; Raíz-divina

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Arrumadinha


quinta-feira, 24 de maio de 2007

Cores de flores



Peónias - Kew garden



Em busca da Peónia Peregrina




Paeonia Byzantina (P. peregrina) - Rariorum plantarum historia (1601) de Charles de l'Écluse

Ando fascinada com as Peónias, já aqui falei da Rosa-albardeira (Erva-casta; Erva-de-santa-rosa; Peónia; Piónia; Rosa-cuca; Rosa-de-lobo) P.lusitânica Mill = P. broteroi. Na sua Flora Portuguesa, Gonçalo Sampaio na descrição que faz desta Peónia refere, "flores vermelhas, grandes" no entanto quando comparadas com as vermelhíssimas, P. peregrinas, são apenas cor-de-rosa. Quero sementes destas peregrinas, alguém sabe onde encontrar?

domingo, 20 de maio de 2007

Árvores Veneráveis #2

Click sobre as fotografias para aumentar
Dracaena draco . Bairro da Petrogal-Bobadela

Mesmo às portas (Orientais) de Lisboa, ao lado da zona de intervenção da expo 98 mas já no concelho de Loures, existe uma zona, creio que com cerca de doze hectares, chamada Bairro da Petrogal, nunca tinha ouvido falar de tal sítio, até que uns dias atrás um leitor deste blog me escreveu relatando o misterioso desaparecimento no local de uma Oliveira multissecular classificada de interesse público com a refª KNJ1/122 (única árvore classificada do Concelho de Loures).

Temendo ter-se enganado J.M. volta alguns dias mais tarde ao local onde tira algumas fotografias a este espantoso Dragoeiro e a outras árvores de grande porte, que ele acredita estarem em perigo.


Não tenho conhecimentos técnicos para avaliar a idade destas árvores, mas parece-me evidente que o Dragoeiro é mais antigo do que as construções vizinhas (prestes a serem demolidas) que aparentam ser dos anos 40-50. Não sei a quem se deve o notável coberto vegetal deste local, o cuidado pela preservação ao longo dos séculos e posterior classificação da Oliveira multissecular, quem plantou por aqui um Dragoeiro, árvore tão invulgar entre nós, quem o tratou com o respeito e carinho que podemos ainda vislumbrar no seu porte venerável, quem plantou a alameda de palmeiras,... Se alguma réstia dessas almas puras ainda por aqui andava, foi decerto banida juntamente com a Oliveira.

É por respeito para com estas almas desconhecidas e para que as gerações futuras tenham o prazer de conviver com árvores veneráveis, que temos de salvar este Dragoeiro.

Olival junto à Fabrica da Sacor 1960

Homens que vêem as árvores

Saudosos Plátanos do Campo Pequeno»

"De facto, eu preferia o antigo Campo Pequeno, mais bárbaro, sem esse verniz europeista, onde aparecia regularmente o Circo Chan ou o Circo Cardinali e tinha aquelas belas árvores. Podiam-se ver, a passear ou sentados em bancos poetas como o António Ramos Rosa, que morava ali perto, atrás do Palácio Galveias. Ele adorava fazer o seu passeio para ir ver os plátanos do Campo Pequeno."

Diogo Biaroulek
Exerto de um comentário daqui

sábado, 19 de maio de 2007

Les Voilá!




Rosa trepadeira Pierre de Ronsard

Fiquei encantada com esta Rosa que conheci aqui. É descrita como uma roseira rústica, muito resistente, pouco exigente quanto ao solo (argiloso ph neutro) e de floração longa muito abundante, fiquei particularmente contente com a indicação de que lhe bastavam uma a duas regas por semana mesmo em tempo quente, para quem tem um jardim de fim-de-semana é uma óptima notícia.

No outono de 2005 encomendei e plantei esta roseira, no ano seguinte deu uma única flor , que cortei logo conforme indicação do fornecedor. Entretanto foi eleita a Rosa favorita do mundo inteiro, passou a ter um site só seu e tornou-se uma estrela no mundo das rosas. No meu jardim continuou simples e corajosa a fazer pela vida, sem grandes cuidados ou atenções. Quando chegou a Primavera, pequenos botões prometiam novidades e agora exibe algumas dezenas das mais bonitas rosas que eu já vi. E como não há bela sem senão, o perfume destas rosas é bastante fraco, pelo menos comparando com estas ou estas.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Passear na serra

Orchis champagneuxii . Foto de Ivo Rodrigues

No blog Serra da Adiça
"É bom coleccionar objectos, mas é melhor dar grandes passeios.

(ANATOLE FRANCE)"
Ou ainda, contemplar umas Rosas albardeiras em Montejunto, ou pela Serra de Ficalho.

Comércio justo


Dia da espiga. Lisboa »»

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Árvores Infelizes

Jacarandá recém-plantado na Av. Fontes Pereira de Melo

"(...) Durante a visita às obras de requalificação da zona, António Prôa, anunciou ainda a instalação de 50 jacarandás na Avenida Fontes Pereira de Melo e no Parque Eduardo VII, doados pela empresa RBensimon, Publicidade e Marketing, ao abrigo da Lei do Mecenato, no valor de 12.500 euros."
Em - blog pessoal do (ex) vereador António Prôa (uma pérola)


Sim senhor, muito bonito... Árvores modernas, das que não precisam de espaço para as raízes.